Horas demais, produtividade de menos.

Horas demais, produtividade de menos.

A CULTURA DA HORA EXTRA não existe apenas no Brasil, mas temos de admitir que há muito tempo ela já faz parte das corporações. Segundo pesquisa feita pelo International Stress Management Association (Isma-BR), que entrevistou todas as categorias de trabalhadores de todos os setores – entre eles executivos, professores e profissionais da saúde – constatou que a carga horária tem aumentado a cada ano, década após década.

Hoje, o tempo de trabalho varia de 50 a 54 horas por semana, contra as 44 horas semanais estabelecidas pela Constituição de 1998. A moda da hora extra vem da terra do tio Sam, em que o tempo de trabalho chegou a 2 mil horas/ano, nos anos 90. Mas tudo isso não é vontade de trabalhar, não. É que os americanos querem consumir mais e melhorar o padrão de vida. Aqui, no Brasil, duas vertentes corroboram para esta situação. Por um lado estão os profissionais (e não são apenas os de classe mais baixa, pois os executivos também se valem da mesma premissa), que usam e abusam das horas extras por motivos semelhantes aos dos americanos, ou seja, ganhar mais.

Há ainda o medo do desemprego, que leva a pessoa a trabalhar além do previsto. “Também persiste a cultura de que só é bem-visto aquele que vai embora depois do chefe. Claro que isto não acontece em todas as empresas, mas este fantasma ainda ronda os profissionais. Até mesmo os que possuem cargos executivos”, diz Luisa Chomuni Alves, consultora de carreira da Thomas Case & Associados. Ao mesmo tempo temos empresas que se valem desse recurso para aumentar a produção sem arcar com os gastos de novas contratações, afinal, sobre os salários há 102% de encargos sociais. Isto significa que, muitas vezes, vale mais a pena pagar horas extras ao funcionário contratado do que empregar um novo.

Esses dados servem para referendar algo que a maioria dos brasileiros já sabe por experiência própria: trabalha-se muito. Mas será que trabalha-se bem? BAIXO RENDIMENTO O trabalho extra, no entanto, tem conseqüências sobre a produtividade. Se pensarmos que hoje muito do trabalho existente tem natureza intelectual, não faz sentido medir a produção de alguém pelo número de horas passadas dentro da companhia. O que vale, agora, é o resultado final. “Atualmente , quem faz muita hora extra a longo prazo não é bem-aceito e também não é um executivo de destaque ou com a carreira em crescimento, porque as horas a mais faz com que a produtividade caia”, afirma Rodolfo Eschenbach, sócio-diretor da área de Human Performance da Accenture.

Não é difícil imaginar os efeitos que 10 ou 12 horas de trabalho provocam no executivo. “Quem passa muito tempo no trabalho fica cansado e apresenta sinais de estresse. Isso não só é ruim para o colaborador como também para a empresa”, avalia a consultora Luisa. Hoje, muitas organizações preferem que o profissional cumpra sua jornada ‘normal’, evitando se alongar, para que possa ter um bom rendimento no dia seguinte. “Hora extra produz mais trabalho. Mais produtividade? Depende. Se for hora extra obrigatória, recorrente, sob pressão, em clima pesado, a produtividade é questionável. Mas se for com objetivo claro, definido, com estrutura e esporádica, acho que vale a pena e dá até um gostinho de vitória, após a conclusão do serviço”, fala Silvia Teixeira da Costa, Gerente de Recursos Humanos da Cameron do Brasil.

No final da década de 90, os americanos trabalhavam 2 mil horas/ano ATENÇÃO DOBRADA O famoso ‘serão’ nem sempre é vilão na história e, em determinadas situações sua existência é mais do que necessária. A hora além do expediente comum deve existir quando a empresa solicita ao colaborador uma atenção para um projeto em que tem prazo curto para entrega, nas vendas de final do ano ou datas comemorativas, e que requer a compreensão do funcionário. “Mudanças, em geral, são seguidas de períodos de horas extras, sempre úteis para ajustar os processos, mas a tendência é que tudo volte ao normal”, explica Sílvia.

Segundo o headhunter Nelson Leal, da Perfil Inteligência em Recursos Humanos, hoje, o mercado não absorve mais o profissional workaholic. “Geralmente, quando sou contratado por empresas para encontrar um colaborador, procuro sempre buscar para meu cliente um profissional saudável, que saiba conciliar trabalho, lazer, vida social e familiar, pois passamos a maior parte da nossa vida num ambiente corporativo”, afirma. VIVA A EXCEÇÃO Trabalhar além do horário não é algo deplorável e, muitas vezes, é necessário. O problema é saber detectar quando a hora extra deixa de ser útil. Normalmente, isso acontece quando passa a ser considerada rotina e não mais exceção.

Em algumas empresas a hora extra é tão recorrente que é vista como parte integrante da jornada diária de trabalho. E o pior é que com o tempo os funcionários começam a se acostumar com a situação, reorganizam suas vidas em função daquele período e do salário diferenciado todo mês. “A hora extra só é justificável e aumenta a produtividade em um momento pré-determinado, quando ela se estende e acontece em longo prazo, prejudica”, enfatiza Eschenbach, da Accenture. O tempo a mais de permanência na empresa ainda pode soar como incompetência profissional, mas só na cabeça dos maldosos.

Segundo Sílvia, gerente de RH da Cameron do Brasil, embora a hora extra contínua possa ser cogitada como falta de competência, ela prefere relacionar esse fenômeno a um sinal de acomodação, falta de revisão de processos e procedimentos, falta de releitura das tarefas e dos papéis dos integrantes da equipe. “Quando vim trabalhar na Cameron minha equipe fazia, em média, 30 horas extras por mês. Além de caro, não há saúde que agüente. Depois de um período de adaptação, melhoramos alguns procedimentos e agora todos vão embora no horário adequado. Há até marido de funcionária achando que tem alguma coisa errada, perguntando se ela será demitida.

Minha equipe agora tem tempo até de ir à academia. Impensável há um ano”. ” Hora extra produz mais trabalho. Mais produtividade? Depende, só se for bem definida ” Sílvia Costa, gerente RH da Cameron do Brasil É aí que entra o gestor de RH para avaliar se as horas extras estão sendo válidas. Mas para que cumpra sua missão é preciso que ele entenda todo o contexto do trabalho de quem irá avaliar. “Também é necessário discutir com outros gestores novas ferramentas para diminuir o sobretrabalho e desenvolver programas de conscientização dos funcionários sobre quando, como, por quanto tempo e por que se faz hora extra”, fala Eschenbach, que conta na Accenture com o programa RH em Ação, que tem esse objetivo. É importante saber se a hora extra traz só custo, aí ela não é benéfica. Não vale a pena. Hora extra tem que ter objetivo, começo e fim. “Na minha equipe somente fazemos hora extra se tivermos uma justificativa concreta, como uma tarefa que não pode deixar de ser feita por impactar negativamente. Caso contrário, ganha-se mais deixando o funcionário ir para sua casa, “, finaliza Sílvia, da Cameron.

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Gastar menos tempo com atividades que não são relativas ao trabalho é um bom começo para por fim as horas extras. Veja o passo-a-passo com o consultor Nelson Leal:

1 - Tenha um planejamento das atividades diárias e priorize as mais urgentes;

2 - Conheça a fundo o produto/serviço em que atua, dando sugestões aos seus gestores no complemento de ferramentas que possibilitem agilidade nos processos;

3 - Procure não fugir do seu foco de trabalho durante o expediente. Exemplos: sites de entretenimento, msn, orkut e responder aos e-mails pessoais;

4 - Evite atender chamadas pessoais ao celular com freqüência, pois isso acaba, às vezes, desviando a atenção dos outros colaboradores do ambiente de trabalho;

5 - Pense de maneira coletiva, buscando agilidade nos processos também dos outros trabalhadores do setor;

6 - Leve sugestões que possibilite novos negócios ou idéias ao departamento, viabilizando a aceleração das atividades;

7 - Tente não centralizar as atividades numa só pessoa.

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